Storytelling colaborativo no ensino de inglês: como usar a escrita criativa em grupo

storytelling colaborativo no ensino de inglês com alunos criando histórias em grupo

Escrever não é fácil. E não apenas pela questão técnica de domínio de aspectos como gramática e ortografia. Criar um texto exige, entre outras habilidades, criatividade, capacidade de organizar os pensamentos, foco e coerência. No caso de uma língua estrangeira, a escrita é ainda mais desafiadora, na mesma medida em que é fundamental para a fluência. Mas há uma estratégia que pode auxiliar nesse processo e, de quebra, ajudar no desenvolvimento de uma série de competências: o collaborative storytelling (ou storytelling colaborativo). 

Essa estratégia consiste na criação de textos em grupo, o que faz com que a escrita deixe de ser solitária. Quando o desenvolvimento de narrativas acontece de forma colaborativa, a responsabilidade pelo texto é dividida, o que diminui a pressão e o medo de errar, impulsionando a criatividade. Além disso, os alunos aprendem a discutir ideias, negociar, respeitar o modo de pensar do outro e buscar soluções de forma conjunta — habilidades que serão importantes ao longo de toda a vida. Os alunos também têm a possibilidade de ampliar o conhecimento do idioma e o vocabulário a partir do repertório dos seus pares. 

O papel do docente no storytelling colaborativo

Nessa estratégia, o protagonismo é dos alunos — o professor deve atuar como um facilitador. Isso significa que o docente deve orientar a atividade, definir objetivos e estimular a reflexão e a resolução de problemas, em vez de oferecer respostas prontas. É importante que a sala de aula se torne um ambiente cooperativo e acolhedor, em que os alunos se sintam seguros para experimentar e compartilhar ideias, compreendendo o erro como parte do aprendizado. 

feedback também é fundamental, e o professor deve oferecê-lo ao longo da atividade, não apenas ao final. O foco da avaliação deve ser em fluência e criatividade, valorizando as boas escolhas dos estudantes e ajudando-os a encontrar pontos de melhoria. 

Como colocar o collaborative storytelling em prática

Há uma série de atividades variadas que podem ser utilizadas para implementar o collaborative storytelling no ensino de inglês. Veja, abaixo, algumas opções: 

  • Chain story (História em corrente): cada aluno escreve uma frase no papel, dobra a que estava acima da sua e passa para o próximo colega, que irá continuar a história. Depois, o professor pode pedir aos alunos que leiam o texto criado em voz alta, o que permite exercitar também a fala (speaking) e a escuta (listening) do inglês. Outra opção é fazer a criação da história de forma oral, para que os estudantes pratiquem a pronúncia e o improviso. 
  • Criação a partir de imagens/palavras específicas: o professor divide a sala em grupos e cada um recebe elementos aleatórios (cenas, personagens, sentimentos) que devem obrigatoriamente fazer parte da narrativa a ser criada. Isso permite guiar o desenvolvimento do vocabulário em inglês, já que o docente irá propor as palavras ou contextos (como situações que ocorrem no dia a dia ou numa viagem, por exemplo) que serão utilizados na história. Outra ideia é, antes de iniciar o exercício, pedir aos próprios alunos que sugiram palavras ou expressões que conhecem para que elas sejam divididas entre os grupos e incluídas nos textos. 
  • Escrita digital compartilhada: o collaborative storytelling também pode ser aplicado no ensino híbrido. Para isso, a proposta pode ser realizada em ferramentas como o Google Docs, que permite a edição conjunta do texto em tempo real. Nesse caso, os alunos podem ser desafiados a criar histórias em duplas ou trios, trabalhando de forma online. 

Essas são apenas algumas possibilidades de usar o collaborative storytelling no ensino e exercitar as quatro habilidades do inglês (escrita, leitura, fala e escuta). O professor pode usar a criatividade e, a partir dessas ideias, criar muitas outras atividades colaborativas que permitem tirar o aluno da posição de receptor passivo e colocá-lo como coautor.  

Essa é uma ótima oportunidade de transformar a sala de aula em um verdadeiro laboratório de inovação linguística, que propicia um aprendizado mais significativo para todos. 

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